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Mamão

Especificações

MAMÃO: FICHA TÉCNICA

Nome científico: Carica papaya L
Nome popular: Mamão
Família botânica: Caricaceae
Características gerais: Pela sua origem tropical, no noroeste da América do Sul, o mamoeiro adaptou-se muito bem no Brasil, tendo sido descoberto pelos espanhóis no Panamá, perto de sua origem. Daí foi distribuído para vários países do mundo, hoje com importância na Ásia (India, Sri Lanka e Arquipélago Malaio) e na África Tropical, além de vários países americanos. A produção mundial anual é de cerca de 6,5 a 7 milhões de t, sendo que o Brasil produz cerca de um quarto desse total.
Variedades: As variedades de mamão comercializadas são basicamente de três tipos – comum, formosa e papaia. O tipo comum é hoje só encontrado em fundo de quintal e/ou feiras de pequenas cidades, não tendo variedades. Do tipo formosa, a Tainung é a variedade mais comum. Ele pesa de 800 a 1.100 g e tem polpa de cerca de 2,30 a 2,45 cm, com SST de 12,5 oBrix, acidez de 0,08%. Seus frutos são de casca amarela, firmes, mas ainda há perdas. Do tipo papaia, o Solo e, mais recentemente, o Golden são os mais importantes. Este último tem pós-colheita mais prolongada, por ser mais firme. O tipo papaia domina o mercado, cujo nome deriva do caribenho ababai, secundado pelo formosa. O primeiro é mais suscetível ao transporte e a danos, mas tem a preferência pela sua qualidade. Os dois tipos, formosa e papaia, são encontrados no mercado durante todo o ano, mas suas épocas de maior oferta são: papaia-de setembro a janeiro, e formosa-de-março a junho e setembro-outubro. Seu principal consumo é na forma de fruta fresca, mas podem ser utilizados para doces de diversos tipos, sucos, polpa, purê, néctar, vitaminas, com outras frutas, sorvetes, ‘frozen’, na culinária e nas indústrias cosmética e farmacêutica.
Produção: No Brasil, destacam-se os estados de Bahia, Espírito Santo e Pará, como maiores produtores, para um consumo maior no Sudeste, principalmente em São Paulo, o que leva ao seu transporte rodoviário por longas distâncias, ocorrendo muitas perdas. O mamão sofreu uma melhoria muito grande nas últimas décadas, pelo estudo de novas variedades, tecnologias de produção e pelas normas de classificação, que ajudam em seu comércio e qualidade. Em alguns mercados e centros de comercialização, podem ocorrer perdas de até 30%. O tipo de embalagem usado e o transporte a granel também levam a perdas, aliado ao fato de ser uma fruta muito perecível. Apesar de estar bem definido o ponto de colheita do mamão, conforme a distância que vai ser levado, opta-se por um ponto, indicado por estágios de 0 a 5, sendo o 3 e o 4 os ideais, correspondendo a 50 e até 75 % do fruto maduro, embora muitas vezes seja colhido em estágios mais verdes, o que leva a uma fruta de pior qualidade na comercialização, embora tenha maior pós-colheita.
Cuidados: O fruto é climatérico. Cada ciclo, da floração à colheita, dura em média 110 dias. Um indicador do ponto de colheita importante é a cor das sementes, pois nos estágios 3 e 4 elas já estão pretas, enquanto antes, estão ainda brancas. A firmeza do fruto varia muito conforme o estágio de maturação: do estádio 1 ao 5, a firmeza pode variar de 76 no 1 a 4,6 no 5, isso avaliado para a Golden. Essa variedade pode sofrer injúrias mecânicas que afetam sua qualidade, tais como o impacto e abrasão. A geleificação da polpa é outro problema, que pode ocorrer no mês de maio, em Linhares, maior produtor de mamão, com a polpa ficando translúcida. Fatores como colheita inadequada, manuseio do fruto, embalagem, conservação e transporte podem afetar a vida útil do mamão na pós-colheita, o que pode originar manchas, danos, que, associados às doenças, podem levar às perdas citadas. O ideal é a colheita ser feita com o fruto com 80 % de cor amarela, mas isso nem sempre é possível. Na compra do mamão, o consumidor deve levar em conta a ausência de manchas, danos, podridões (principalmente a no pedúnculo) e frutos imaturos. Se for comprar frutos para vários dias, pode preferir de dois ou mais estágios de maturação, ou comprar frutos de papaia e formosa, pois este se conserva por mais tempo. A conservação é melhor em temperatura de 12 a 13 graus centígrados e 80 % de umidade relativa do ar. Entre os produtos mais reputados de mamão, está o creme de papaia com cassis. O papaia é comercializado no Ceagesp em maior volume entre setembro e março, sendo mais caro entre abril e julho. O formosa é mais barato entre março e outubro, com menor oferta entre novembro e fevereiro.
Fonte: DONADIO, L.C.; ZACCARO, R.P. Valor nutricional de frutas.

VALOR NUTRICIONAL

O valor nutricional do mamão é reconhecido pelo seu conteúdo de açúcares, ácidos, sais minerais, carotenoides, vitaminas, principalmente a A, além de suas qualidades nutracêuticas. Seu valor medicinal é baseado no conteúdo de pectinas, papaína e carpaína.
Minerais – Ferro – 0,2 a 0,5 mg; cálcio – 22-25 mg; magnésio – 17-22 mg; manganês – 0,01 a 0,04 mg; fósforo – 11 mg; potássio – 125 a 222 g; cobre – 1,36 a 0,35, e zinco – 0,1 a 0,7 mg.
Vitaminas – A – 2.840 – 3.700 mg; C – 55 a 82 mg e B1 – 0,03 a 0,11 mg; B2 – 0,03 a 0,11 mg; B3 – 0,23 – 0,39 mg.
Fonte: DONADIO, L.C.; ZACCARO, R.P. Valor nutricional de frutas.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
Uma visão panorâmica na cultura, através dos dois divisores de água, em 1967 e 1973, até os dias de hoje: notáveis avanços tecnológicos foram conseguidos, passando o Brasil de apenas um consumidor desta fruta, para ser o maior exportador mundial. Em 1967, houve a primeira referência do mosaico do mamoeiro no Brasil e, em 1973, as primeiras introduções de sementes melhoradas de mamão do Havaí. Dados da produção brasileira, por diferentes estados, evidenciam o bom rendimento obtido nos estados do Espírito Santo e da Bahia, atualmente os principais produtores. Essas conquistas devem-se a fortes grupos de pesquisas, em vários estados brasileiros, a quem cabe o mérito destes resultados. O grande avanço observado na cultura deveu-se a valorosas equipes, formadas em diferentes locais do Brasil, além do empreendedorismo do empresário nacional, a quem se deve cumprimentar, pela dedicação e entusiasmo demonstrados, que fazem do Brasil o principal exportador, gerando empregos e contribuindo para nossa balança comercial. (Prof. Dr. CARLOS RUGGIERO. Professor Titular aposentado da FCAV-UNESP, Campus de Jaboticabal).
A cultura do mamoeiro representa um salto espetacular desde o momento em que Monte Alto SP- que era considerada a capital brasileira do mamão, chegando a sair para o mercado diariamente 35 caminhões carregados, quando sofreu um terrível impacto representado pela descoberta em 1967 por Alvaro Santos Costa, pesquisador de virologia do Instituto Agronômico de Campinas e pelo extensionista da casa da agricultura de Monte Alto Shineke Kamada. a doença virótica “Mosaico do mamoeiro”, transmitida por pulgões, que iniciou um processo de migração da cultura para outras regiões, culminando hoje por contemplar os estados do Espirito Santo , Bahia, e o Rio Grande do Norte, como os principais produtores.
Podemos relatar como pontos positivos nesta evolução, as atividades de pós colheita, onde não existiam casas de embalagens, e atualmente contamos com modernas instalações, o melhoramento genético, onde novos plantios eram formados de sementes colhidas em lavouras no campo em plntas sem seleção, onde atualmente constatamos a existência de bons produtores de sementes, o que é uma garantia para o sucesso na atividade, podemos mencionar a área de propagação, onde as mudas eram formadas em canteiros a céu aberto, e atualmente em viveiros telados.
Essa evolução faz do Brasil, deixar de ser um produtor de frutas para o mercado interno, para sermos o principal produtor e exportador. Ressalta a importância de serem iniciadas novas lavouras, com sementes de ótima qualidade. Fonte: Prof. Carlos Ruggiero. FCAV/UNESP.
Aproveitamos a oportunidade para convidar os internautas para o 1ºsimpósio Internacional sobre Avanços observados a nível mundial em fruticultura, a ser realizado em janeiro de 2017, na Unesp/Jaboticabal, onde mamão será uma fruta contemplada. Saiba a qualidade da sua lavoura , depende da qualidade das mudas utilizadas.